Todos já nos apercebemos que a pluralidade de mensagens, sinais, toques que todos recebemos, das mais diversas proveniências e com os mais diversos temas, independentemente da hora ou do dia, está gerando uma atenção difusa, ao mesmo tempo que provoca, ansiedade e exaustão, com implicações no bem-estar de cada um.

Segundo alguns estudos internacionais, o tempo em que nos focamos por exemplo, em algumas redes sociais vem diminuindo, atendendo a que temos várias solicitações em simultâneo, tendo passado de poucos minutos, há alguns anos, para alguns segundos actualmente.

Estas interrupções, como se calcula, significam, de forma acumulada, horas perdidas de trabalho com consequências nas quebras de produtividade, no caso das empresas, e do bem-estar pessoal com um todo, no caso das pessoas que estão a trabalhar.

Este “contínuo digital”, por assim dizer, tem como todos sabemos implicações, a níveis como:

a) A sensação de o nosso trabalho nunca terminar; há sempre mensagens, notificações e textos mais densos a chegar que se conjugam e interrompem o que estamos fazendo, gerando em cada um de nós, elevados níveis de ansiedade, porque queremos estar sempre disponíveis à solicitação ou interrupção que nos chega;

b) Uma sensação de cansaço acumulado, provocado por estarmos sempre com a atenção dispersa por várias situações e tarefas.

A natureza de todo este debate, que muitas vezes está centrado na tecnologia, em si, tem que passar mais por nós humanos e pelas organizações em que trabalhamos. Isto é, a maneira como utilizamos e incorporamos a tecnologia no nosso dia-a-dia, é que tem de ser repensada.

Fundamentalmente o que está em jogo, em nossa opinião, é:

a) Criarmos momentos e procedimentos nas organizações que estabilizem o trabalho em contínuo, sem interrupções de forma a termos a possibilidade (e a gratificação pessoal) de progresso ou conclusão de uma tarefa;

b) Evitarmos que mensagens de correio electrónico e outras, como os sms, circulem fora dos horários de trabalho;

c) Definirmos normas de comunicação – leia-se respostas -,  para as nossas organizações sem que o destinatário tenha que dar uma resposta imediata, de forma a atenuar a dispersão e reduzir a ansiedade;

d) Favorecermos o contacto pessoal, através de reuniões e troca de opiniões, sem recurso a meios digitais (sempre que possível), sendo que estes momentos devem ser  também de desconexão digital;

e) Finalmente e à medida que a tecnologia também nos torna mais autónomos, também temos que ser capazes de nós próprios organizarmos o nosso tempo de trabalho, em conjunto com os colegas, de forma que o “digital”, seja um meio e não o objectivo final das nossas vidas.

Isto é, não chega só termos consciência da situação é preciso organizarmo-nos para mudarmos, se queremos ser mentalmente saudáveis.